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Diana Carvalhinha (2022)

Cuidar da pessoa idosa

Cuidar é amar, estar, viver e presenciar. É saber que um bom dia e um sorriso salva 

o coração de quem se cuida.

A pessoa idosa partilha o seu ser, com o cuidador, pois saber que ele nesta etapa de vida é  a pessoa que mais conhece as feridas no seu corpo, no entanto, são feridas que não são tão profundas como aquelas que  alguns casos guardam no seu coração.

O cuidador cuida dos pais, dos avós, dos tios olhando — os como se fizessem parte da sua família.

Por vezes a sua dedicação e tempo é totalmente focado no trabalho, deixando os seus para segundo plano.

Nós cuidadores, até quando fazemos” o pouco” que podemos pelas pessoas idosas que cuidamos, para eles se torna muito.

Eu como cuidadora de pessoas idosas, reconheço que dos  meus idosos, recebo mais deles do que” o muito ou pouco” que lhes dou.

” Cuidar dos nossos idosos é preservar a nossa história

A Demência de Alzheimer

A Demência de Alzheimer traz consigo a saudade dos momentos lúcidos  da pessoa que era e que se perdeu.

É o não se lembrar do nome de quem todos os dias se faz sentir perto e presente.

É perder-se no tempo e no espaço como se tivesse entrado numa máquina do tempo.

Dói olhar para um filho e nem sequer se lembra do nome de quem trouxe ao mundo que viu os primeiros passos as primeiras birras e as primeiras falas.

É viver sem saber se daqui a 5 minutos nos vamos lembrar do nosso nome ou da nossa idade.

Contudo, demonstra que tudo nesta vida é marcante mesmo o momento mais pequeno.

Alzheimer… uma brisa que chega de leve, subtil e branda, como quem não quer incomodar e aos poucos vai invadindo os espaços, soprar cada vez mais forte até tornar-se um tornando que de maneira devastadora vem e destrói tudo.

E depois, apenas do nada. Retorna então a brisa e a calmaria… eterna.

A consciência da morte no cuidador formal

Cuidar do idoso em fim de vida numa  estrutura residencial para idosos, exige ao cuidador formal uma gama complexa de cuidados, pois envolve a dimensão ética, psicológica, social, física, espiritual e emocional. 

Uma mistura de sentimentos sentidos pelos cuidadores formais, são  momentos de grande sofrimento sobretudo quando se deparam com a aproximação da morte de alguém que cuidavam com dedicação.

É doloroso saber que alguém que cuidamos diariamente a qualquer momento pode deixar-nos. A dor é sentida porque passamos muitas  horas a cuidar-lhes o que os torna mais  que os nossos .

É difícil desligar por totalidade do vínculo que temos com cada um, mesmo que façamos de tudo para sermos fortes.  

Existe sempre o receio de que aquele dia de trabalho possa ter sido o último para aquele idoso, que ontem foi o último “adeus”que lhe demos.

Antes de entrar na instituição, penso, hoje pode ser o último dia para algum idoso. Eles merecem que lhes faca feliz e de transmitir-lhe a paz que necessitam nos últimos dias.

A cada dia lembro -me que a vida é uma passagem e que um dia todos descemos da carruagem.

Cuidadores

Os cuidadores informal e o formal, são os grandes responsáveis pelos cuidados com os idosos necessitados  de atenção constante e conforto. O cuidador informal nada mais é do que aquela pessoa que cuida de outra sem possuir contrato formal, lembrando pode ser um familiar ou até mesmo pessoas próximas ao utente. O cuidador formal nada mais é do que um prestador de serviços que possui uma capacitação e experiência e está preparada para dar resposta às necessidades básicas dos seus pacientes. Ambos são importantes no processo de envelhecimento, pois garantem a preservação da qualidade de vida do utente garantido que este  sinta que tem amor e cuidados a sua volta e que a vida voltou a sorrir ao perceber que nesta batalha da  terceira idade não esta sozinho(a).

Ambos os cuidadores têm como principal perfil a empatia, dedicação, coragem e amor ao próximo. 

Nós temos muitas vezes de fechar os olhos às dificuldades, esforços do ato de cuidar com o fim de vermos ao bem-estar de cada um. 

Somos ambos importantes porque eles vêm em nós o aconchego que não têm muitas das vezes por parte de familiares que se dizem presentes, mas que, na verdade presença deles e tão nula como o seu amor por eles.

 Precisamos de continuar a mostrar amor e cuidado, pois a nossa maior gratificação e o sorriso nos olhos por parte de quem dedicamos 8 ou mais horas de trabalho.

Embora nada seja eterno, tudo que cuidamos dura mais“.

A minha visão sobre o amor na terceira idade

Para ser franca, na minha visão sobre o amor  na terceira idade é o mesmo que quando se fala nas restantes idades, mas com mais maturidade do que apenas uma mera envolvência. 

Não existe qualquer tipo de barreira que proíba uma pessoa de 60 anos de aproveitar a  vida como as de 20 a menos que a saúde não permita.

Não é de agora que a ciência nos diz que amar e ser amado traz vários benefícios para saúde. “O amor cura“! Qualquer condição que induza à solidão causa sentimentos negativos que podem levar a pessoa a adoecer.  Nutrir, partilhar bons sentimentos e dividir uma intimidade com outra pessoa é  o melhor remédio para evitar problemas de saúde.

O constante contacto com o seu companheiro ou companheira, seja ele físico ou emocional ajuda a que  o idoso se mantenha motivado paras as atividades do dia-a -dia , ativo, evitando assim a possibilidade de se isolar e deprimir.

                      ” O amor não tem idade, está sempre nascendo.”

A envolvência da  pandemia no envelhecimento

A pandemia teve uma influência nefasta nos idosos por todo o mundo.

Com o isolamento profilático  muitos idosos  mostram sentir a solidão ainda mais de perto do que em tempos  “normais”  .

Foram impedidos de realizar algumas atividades,   ginástica, natação, aqueles torneios de jogos de mesa aos domingos e fins de tarde com o grupo de amigos do costume  e etc. Medidas necessárias para proteger os idosos.

O convívio e bastante importante principalmente nestas idades  para manterem o bem-estar psicológico e emocional. 

Neste momento de fragilidade que vivemos em todo o mundo, veio desenvolver em mim um cuidado mais específico e atento para com os idosos que responsabilizo em cuidar. 

O meu olhar de cuidadora em relação às patologias

Existem patologias que  vão surgindo  pouco a pouco, no entanto, quando se cuida com amor, dedicação e formação o  foco está em manter o olhar na pessoa idosa, não nas patologias a carregar sobre si.

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