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A Bíblia, Livro dos tempos, Livro de todos… | Por Drª Rafaela Silva

“A Bíblia é a fonte de tudo, ou pelo menos, a referência para tudo” (J. Le Goff, 1991, p. 21), disse um dia Jacques Le Goff, célebre historiador francês. A influência do também designado “Livro dos livros” (Libro librorum, como lhe chamavam os Pais da Igreja) atravessou tempos e gerações, alimentando toda uma visão do mundo e do homem que ainda hoje subsiste.

Enquanto leitora assídua da Bíblia, e assumida admiradora de tão grandioso e intrigante Livro, não quero deixar de expressar a minha admiração pelo caráter durador do texto aí veiculado. Não esqueçamos que, embora este seja um dos maiores livros da História, nenhum outro livro foi tão perseguido, proibindo-se a sua divulgação ou simples leitura, tendo sido igualmente sujeito a repetidas tentativas de destruição ao longo dos tempos, já para não falar do questionamento crítico-científico que hoje também enfrenta.

Este Livro não só foi extraordinariamente preservado ao longo dos tempos, como ainda consegue ser perfeitamente intemporal. Já experimentaram ler algumas das suas páginas? Já prestaram atenção em algumas das suas linhas? Por entre difíceis trechos, encontramos fortes conselhos, autênticos avisos, narrativas que partilham a experiência de inúmeros homens e mulheres, que como nós, enfrentaram desafios, perdas, dor, mas que protagonizaram também grandes conquistas humanas, superando medos e dúvidas, apegando-se a um Deus que não viam, mas que se tornou presente e constante.

Este Livro tem feito as minhas delícias. O que antes era para mim leitura esporádica, tornou-se agora num desejo diário, a tal ponto que fiz deste Livro a minha ferramenta de trabalho, o meu objeto de estudo. No meio académico e secular, habitualmente hostil à abordagem bíblica, a Bíblia passou a ser o meu tema de trabalho, na tese de Mestrado, na dissertação de Doutoramento, e agora também na investigação científica que realizo na Universidade do Porto.

Recentemente tive o prazer e a oportunidade de escrever, juntamente com uma colega, um artigo sobre a influência do livro de Eclesiastes num poema de um trovador medieval. Não me vou esquecer desta experiência e sobretudo das palavras da minha amiga e colega que não se identifica com qualquer prática ou crença religiosa: “Impressionante como o livro de Eclesiastes consegue ser tão atual!”. Espreitem este livro, vão se surpreender…

Paremos agora por um momento. Imaginem que a Bíblia nunca tivesse sido escrita. Sabem que mais? Alguém já meditou nisso. Sabem o que concluíram James Kennedy e Jerry Newcombe no seu livro What if the Bible had never been written? Concluiram que “praticamente todos os grandes exploradores, cientistas, escritores, artistas, políticos e educadores do Ocidente foram tão influenciados por este livro que, sem ele, esses homens jamais teriam oferecido tantas contribuições ao mundo” (R. Silva, 2020, p. 21).

Experimentem. Garanto-vos que dificilmente ficarão indiferentes a tamanha sabedoria.

Referências:

  • Jacques Le Goff, L’imaginaire medieval: essais, Paris, Gallimard, 1991.
  • D. James Kennedy e Jerry Newcombe, What if the Bible had never been writted?, Nashville, Nelson Books, 1998.
  • Rodrigo Silva, A Bíblia de Aléf a Ômega, São Paulo, Ágape, 2020.

 


Drª Rafaela Silva

29 de janeiro de 2022

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