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 Construir para me ver — uma conversa com o Pedro sobre Lego® Serious Play®

Construir para me ver — uma conversa com o Pedro sobre Lego® Serious Play®

 

 

Entre peças e conexões, vamos dando forma ao puzzle interior que o coração guarda em silêncio.-  Carolina Alexandra Machado M. Borges, 2026

Olá Pedro, bem-vindo ao meu escritório virtual . Fico feliz em te receber por estes lados.

Esta conversa já estava prometida há algum tempo. E confesso: estava ansiosa que este momento de partilha com o mundo , o teu mundo.

A primeira vez que conheci este trabalho foi contigo, num Café Desperta. Aliás, foi aí que te conheci.
Lembro-me perfeitamente da sensação: curiosidade, surpresa… e um certo encantamento.

Durante a minha licenciatura inscrevi-me numa unidade de Arteterapia porque sempre acreditei que existem caminhos diferentes para chegar ao ser humano. Nem tudo se resolve a falar. Nem tudo se explica em teoria.

E quando me apresentaste o  Lego® Serious Play®  pensei:
“É isto. É mais uma porta.

Uma forma concreta, visual e quase mágica de nos vermos.

Construir para compreender
Há algo profundamente transformador em pegar em peças aparentemente simples… e começar a dar forma ao que estamos a viver por dentro.

Já não fazia um momento de verdadeira introspeção há algum tempo.
E naquele 25 de abril, quando participei na tua sessão, aconteceu qualquer coisa diferente.

Ao construir, comecei a ver.

Ver os desafios que estou a viver.
Ver aquilo que quero realmente alcançar.
Ver o que me está a travar.
E, talvez o mais importante, ver o que preciso de mudar para avançar.

Sem teoria.
Sem máscaras.
Sem discursos elaborados.

Só construção. Silêncio. Perguntas certas. E partilha.

Saí de lá mais leve. Com mais discernimento. Mais consciente.

Gostei muito da forma como conduziste tudo — com cuidado, com leveza, com respeito pelo tempo de cada um.
Criaste um espaço seguro onde todos pudemos fazer essa desmontagem e reconstrução interior.

Quero perguntar-te…

Como começou esta tua ligação ao mundo do Lego® Serious Play® como ferramenta de desenvolvimento?

Pedro – Os Lego® sempre fizeram parte de mim, na minha infância, adolescência, vida adulta… sempre houve Lego® à minha volta. Sempre construí com instruções e sempre tive um saco cheio de peças para fazer construção livre. Gostava de pensar que um avião podia ser qualquer coisa, mesmo que não se parecesse um avião. Atribuir um significado metafórico a uma construção, muito antes de saber o que era uma metáfora. Já em adulto, no meu percurso profissional, comecei a ver um padrão nos problemas que as equipas / organizações enfrentam. Um problema que é fruto da complexidade daquilo que é comum a todas as equipas, o ser humano. Desde cedo, percebi que a única fsorma de resolver esses problemas é falar sobre eles no entanto isso é o próprio desafio – as pessoas não falam sobre os problemas, a não ser que sejam postas num ambiente que torna seguro essa partilha. Começa aqui a minha procura por maneiras de fazer isso acontecer, de criar ambientes seguros para explorar problemas sérios nas equipas. Na altura, também inserido no mundo dos jogos de tabuleiro, achei que esse poderia ser um caminho – a gamification – transportar as mecânicas dos jogos, para o contexto profissional e fazer com que as pessoas criassem ligações mais fortes através da cooperação, no entanto o foco da gamification vai muito pelos processos em si e não tanto pelas pessoas e pela sua interpretação da equipa. Gamification procura atingir resultados mudando a forma como as pessoas abordam o processo, e não era isto que eu pretendia. Os Lego® apareceram porque criei algumas pontes na minha memória, lembrei-me que conhecia uma pessoa que trabalhava com  Lego® Serious Play® (na altura ainda não sabia que se chamava assim) e decidi começar a pesquisar… a partir daí foi-se construindo!

O que é que viveste, tu, na primeira pessoa, que te fez perceber que isto era mais do que brincar com peças?
Pedro –   Quando comecei a pesquisar encontrei MUITA coisa. Muita informação, muitos exemplos, muitos cursos, pagos, gratuitos, em Português, em Inglês, tudo.. Um oceano de informação, que me desmotivou um bocado, porque pensei “eh pah, isto não é nada inovador, isto já é muito batido” então perdi um bocado o foco. Hoje em dia o algoritmo é que manda em tudo, para o bem e para o mal e, no seguimento de muitas pesquisas, começo a receber muita informação patrocinada sobre este tema. E foi aí que encontrei a Inthrface (empresa que me certificou), a promover um webinar para esclarecer algumas dúvidas. Foi esse webinar que mudou tudo, foi aí que eu tive a certeza que havia muito ruído no mercado à volta de Lego® Serious Play e que a inovação vinha no saber fazer bem e aprender com os melhores da área. A Inthrface é uma empresa Dinamarquesa, que trabalha diretamente com o Johan Roos que é um dos co-criadores da metodologia, com um enorme currículo académico, no estudo dos comportamentos humanos e na abordagem do Serious Play na forma como nós encontramos soluções. Saber fazer bem, foi o meu foco e foi assim que cheguei aqui.

 Quando é o momento certo?
Na tua experiência, quando é que faz mais sentido alguém procurar este tipo de sessão?
É quando estamos perdidos?
Quando estamos em transição?
Quando sentimos um bloqueio?
Ou quando simplesmente sabemos que precisamos de parar e olhar para dentro?

Pedro – O momento certo para uma sessão de Lego® Serious Play® é quando temos uma pergunta. Tudo começa com uma pergunta e essa pergunta vai guiar a pessoa na sessão toda, para conseguir encontrar a resposta para essa pergunta. Não temos que estar perdidos, nem em transição, temos apenas que perceber que estamos num impasse. Aqui tudo depende do contexto em que está a ser dada a sessão. Se for no contexto de desenvolvimento pessoal / profissional, é virado para o “eu” de cada um e aí posso generalizar e dizer que, o momento ideal, é quando estamos perante alguma mudança na nossa vida, ou a necessidade de fazer alguma escolha, ou simplesmente estamos num ponto em que não sabemos bem por onde ir.
No contexto de equipa / empresa, há vários momentos chave em que uma sessão de Lego® Serious Play faz sentido – Desalinhamento de equipas, mudanças disruptivas numa estrutura, relação interdepartamental numa organização, ou simplesmente algum problema na comunicação entre pessoas. Aqui faço uma sessão com o foco na criação de valores de equipa, onde se cria um modelo comum, através do contributo individual de cada membro dessa equipa. Depois é feita uma ligação dessa perspectiva individual à perspectiva comum que são os valores de equipa.
No contexto estratégico, um dos momentos chave mais importantes são as mudanças de ciclo. O objetivo principal destas sessões é criar um plano estratégico de ações para uma organização. Cada elemento da equipa partilha a sua perspectiva pessoal do que é que a empresa é, como é vista por fora e o que ambiciona ser no futuro. Com a partilha individual constrói-se um modelo comum e criam-se as ligações entre os vários agentes presentes no ecossistema desta empresa.
Não há alturas certas, há sempre algo para explorar, mesmo que achemos que não.

 E as crianças…
Sei que também trabalhas com crianças.
E lembro-me de ouvir um menino falar das tuas sessões — havia um brilho nos olhos dele impossível de ignorar.
Como é trabalhar o autoconhecimento com os mais pequenos através das peças?

Pedro – Trabalhar com crianças é algo que adoro fazer. Ajuda-me muito a lidar com a minha gestão de expectativas e ajuda-me muito a pôr também as minhas coisas em perspectiva. Com as crianças trabalho as ferramentas principais do Lego® Serious Play® – construção, metáforas e narrativa / storytelling. Ajudo-os a explorarem um bocadinho mais, coisas banais do dia a dia deles, crio um espaço seguro para eles partilharem, tento ensinar-lhes a importância de respeitar as partilhas uns dos outros.

Quais os cuidados que tens na preparação de uma sessão com crianças?

Pedro – Promovo o foco deles no objetivo principal da aula, sem que lhes limite aquilo que eles querem partilhar. Se eu peço para construírem como é que é o dia de escola perfeito, vou acompanhando para que eles não dispersem, mas “deixo” que eles construam o que querem, porque se eles querem partilhar algo, tenho que assumir que é importante para eles.

O que é que muda — e o que é que permanece igual — quando passas do mundo adulto para o mundo infantil?

Pedro – As crianças têm muito mais facilidade em criar histórias e usar metáforas. Nós estamos sempre a pensar se o que estamos a dizer faz sentido ou não, o que é que os outros vão achar disto, se devo ou não devo, se está certo ou errado. As crianças simplesmente fazem, se sentirem que o ambiente é seguro. Não estão preocupados em pensar se as histórias fazem sentido, nem se o que fizeram está certo… pensam, constroem, partilham e no fim só querem é que alguém os ouça e que dê valor ao que eles fizeram. Temos muito a aprender com as crianças.

 O que fica depois.
Qual é, para ti, a verdadeira eficácia deste método?

Pedro – Para mim, este método funciona, porque os modelos que as pessoas criam, faz com que tudo deixe de ser acerca delas e passe a ser acerca do modelo. As características, os problemas, as histórias, os desafios, passam a ser vistos na terceira pessoa e torna-se mais fácil de analisar. O facto de estarmos a mostrar aos outros aquilo que somos, com algo palpável e visualmente explicativo, aumenta o nível de compreensão e empatia dos outros em relação a nós. Na minha opinião, este é o verdadeiro sumo de uma sessão. Toda a parte científica que está por trás – construtivismo e construcionismo, teoria dos sistemas complexos ou toda a base de neurociência que existe, reflete-se e resume-se no que disse.

O que é que as pessoas levam consigo quando saem da sala?

Porque eu levei consciência.
Levei clareza.
Levei perguntas que continuam a ecoar.

E isso, para mim, já é transformação.

Pedro – Levam clareza – espero eu – levam algumas respostas e uma mão cheia de perguntas novas. A vantagem é que são perguntas cuja resposta, à partida, já estará mais visível do que estava antes. As equipas, levam alinhamento entre si, levam muita empatia pelos outros e levam uma experiência que os torna mais unidos. No final de uma sessão, uma equipa saberá certamente qual o contributo de cada um e qual o caminho que devem seguir.

 E para terminar…
De todas as sessões que já facilitaste, houve alguma que te tenha tocado de forma especial?
Alguma história que ainda guardes contigo?

Pedro – Cada sessão é única e todas acrescentam algo em mim, por isso todas me tocam de uma forma especial. Posso dizer-te que não houve nenhuma que me tenha desiludido, ou que tenha sido menos interessante. Há sempre alguém que nos deixa de boca aberta.
Histórias, também as vou guardando a todas, ou uma parte mais forte de cada uma. Não me lembro de todas, mas se vir fotografias dos modelos que construíram consigo ativar a minha memória e ir buscar alguns detalhes. Adorava contar histórias que me contam numa sessão, mas é um espaço seguro e isso traz a responsabilidade em guardá-las para mim.

E para quem está a ler isto e sente essa curiosidade, essa inquietação interna…Onde te podem encontrar?

Pedro – Estou sempre à distância de uma mensagem ou de uma chamada, ou email se preferirem.. Podem seguir-me no Instagram e no LinkedIn e subscrever a minha newsletter no LinkedIn – Brick by Brick – é o sítio onde falo acerca de temas e normalmente faço uma ponte para o Lego® Serious Play®.

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25 de abril , 2026

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