“Uma decisão diferente tem o poder de abrir portas para um futuro ainda por descobrir.” – Carolina Alexandra Machado M. Borges
Madrid, maio , 2026
A Coragem de Decidir Diferente
Abrir um ciclo é, acima de tudo, uma decisão.
Não é sobre sorte.
Não é sobre o momento perfeito.
É sobre escolher/decidir.
Eu costumo chegar ao momento da decisão depois de testar hipóteses, analisar possibilidades e ponderar tudo o que poderia ser.
Depois de colocar na balança os prós e os contras.
E só então, muitas vezes, faço “tripas coração” e decisão é tomada, decisão é honrada.
A partir daí, sigo em frente — não para me deixar prender ao passado, mas para não me transformar numa estátua dele.
Como na imagem simbólica da mulher de Ló, há momentos em que olhar para trás em excesso nos paralisa no lugar onde já não devemos permanecer. O passado é um lugar de memória, não de permanência. Nada muda ao reviver o que já aconteceu; apenas se perde energia para construir o que ainda pode existir. ” O que foi feito, foi feito”.
Escolher é isto:
Escolher pensar diferente.
Escolher agir diferente.
Escolher não repetir padrões que já sabemos onde nos levam. (“atitudes iguais, resultados iguais”)
Há padrões que tiveram o seu tempo.
Foram úteis numa fase da vida, mas deixam de fazer sentido noutra.
Não se trata nem de negar o passado nem ficar de lado a lado com ele.
Trata-se de reconhecer , apostar na evolução.
Muitas vezes, o novo ciclo não começa com algo grandioso.
A investigação em psicologia da mudança comportamental mostra precisamente isto: transformações significativas raramente acontecem de forma súbita. Elas são construídas através de pequenos ajustes consistentes — decisões aparentemente simples que, repetidas ao longo do tempo, reorganizam a forma como pensamos, sentimos e agimos (Lally et al., 2010; Prochaska & DiClemente, 1983). Por vezes a mudança mais simples e ” apararentemente” mais insignificante , é essa, sim essa mesma que irá promover um maior impacto.
Estes “micro- movimentos” não são triviais — são a base da formação de novos padrões de comportamento e da consolidação de mudança duradoura.
Neste sentido, o novo não nasce apenas de grandes decisões, mas de pequenas alterações alinhadas com uma nova direção interna.
Um simples click.
Uma mudança de percurso.
Um café diferente.
Um novo lugar.
Um “não” que finalmente é dito.
Não importa tanto como começa.
Importa que se abre espaço para que comece.
A psicologia do comportamento planeado reforça que decisões sustentadas não dependem apenas de motivação, mas de intenção consciente, perceção de controlo e alinhamento com valores pessoais (Ajzen, 1991). Quando há clareza sobre o que já não serve, a ação torna-se mais intencional e menos reativa.
O novo ciclo, na maioria das vezes, não nasce do conforto. Nasce da coragem!
È também daquilo que a psicologia descreve como tensão de mudança — o desconforto interno que surge quando a realidade atual já não está alinhada com a identidade que estamos a construir. Esta tensão não é erro; é frequentemente um indicador de reorganização psicológica e crescimento. (Prochaska & DiClemente, 1983; Bandura, 1997).
Começa com um limite que colocas.
Com uma conversa franca, olhos nos olhos, coração com coração, córtex com córtex — como costumo dizer.
E, muitas vezes, com a decisão de não continuares a negociar contigo mesma aquilo que já está decidido por dentro.
E é por isso que, como disse antes, uma decisão diferente tem o poder de abrir portas para um futuro ainda por descobrir.

📚 Referências Bibliográficas (APA)
Ajzen, I. (1991). The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 50(2), 179–211. https://doi.org/10.1016/0749-5978(91)90020-T
Bandura, A. (1997). Self-efficacy: The exercise of control. New York: W. H. Freeman.
Lally, P., van Jaarsveld, C. H. M., Potts, H. W. W., & Wardle, J. (2010). How are habits formed: Modelling habit formation in the real world. European Journal of Social Psychology, 40(6), 998–1009. https://doi.org/10.1002/ejsp.674
Prochaska, J. O., & DiClemente, C. C. (1983). Stages and processes of self-change of smoking: Toward an integrative model of change. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 51(3), 390–395. https://doi.org/10.1037/0022-006X.51.3.390
