“Toda a história de amor é linda. A nossa é a minha favorita”.
*Nomes fictícios
História Pepita (72 anos) & Juan ( 72 anos ) -portugueses
“O amor é…
Fogo que arde
e não queima.
Calor aquecendo a vida.
Centelhas brilhantes,
que se espalham.
Luz que brilha,
mas não magoa.
O amor é…
Amor.” – “Juan”- Viseu, 1980
Conheci Juan na Feira de São Mateus, através do meu irmão mais novo. Juan e meu irmão, na época estudante, moravam em Viseu.
O meu irmão apresentou-me, no entanto, o Juan já tinha referências sobre a minha pessoa.
Começámos a conviver com frequência, tornando-nos muito amigos e cúmplices e o namoro surgiu naturalmente com o aprofundar da amizade.
O pedido de casamento surgiu quando o Juan teve de ir trabalhar para outra localidade, nesse momento ele perguntou-me.
“Pepita, tenho que mudar de cidade para ir trabalhar, queres ir trabalhar também para lá?”
A partir do momento que eu disse que ia com ele, começámos a preparar o casamento.
O dia de casamento foi “tal e qual” o sonhado, por se realizar na cidade em que nos conhecemos.
De este casamento nasceram duas meninas e uma delas já é mãe de dois meninos.
Depois dos 60 anos, tornámo-nos mais caseiros, vivendo mais um para o outro. Ficamos mais pacientes visto que temos uma vida muito mais serena.
O segredo para um casamento feliz: é existir sinceridade de parte a parte.
História de Esther (60) & Ruben (55) – portugueses
Conhecemos tinha eu já 49 anos e ele 38 anos. Tínhamos o mesmo grupo de amigos e a cada semana combinávamos sair para dançar, jantar fora…
Numa noite saímos todos e eu comecei a “pica-lo”. Eu na minha carrinha de 9 lugares e ele no seu Audi.
Despois do despique o Ruben convidou-me para a sua festa de anos e fomos com uns amigos para uma casa na praia. Ainda hoje agradeço a nossa amiga em comum que nos juntou, que me apresentou o amor da minha vida. O tempo foi passando e certa noite, dessas em que saímos para dançar Rúben, que deu o primeiro passo, pedindo-me para dançar. Sempre foi muito respeitador. A primeira impressão que tinha sobre o Ruben não era das melhores, parecia-me muito convencido e maniento.
Depois de ter dançado a primeira vez com ele, todas as outras dancei sempre com ele. O que me chamava mais atenção era “como é que aquele homem desajeitado” tinha umas mãos tao belas!
O primeiro beijo foi muito engraçado. Estando a dançar numa discoteca diz-me ele:
– “Apetece-me dar-te um beijo.”
E… beijou-me.
Como eu já tinha saído de um casamento conturbado receava voltar a casar, vendo o meu receio a filhota do Rúben veio falar comigo para eu casar com o pai dela. Os dias foram passando, pensei, observei com toda atenção e muito detalhe o Rubén e… então decidi casar-.
Depois de casarmos a nossa confiança aumentou dada a nossa maior convivência e quanto mais o conhecia mais gostava dele.
A forma como eu lhe demonstro amor é dizendo-lhe que o amo, que gosto muito dele. Sou muito espontânea.
O nosso segredo para sermos felizes:Temos uma maneira de ser muito parecidas. Lutamos pelos mesmo objetivos juntos, temos os dois uma mente muito aberta. Divertimo-nos muito juntos. Nunca discutimos, sabemos ceder um em favor do outro e estamos sempre de comum acordo e se… “ ele diz sim , eu também digo sim”.
Saímos muito, brincamos. Somos muito amigos além de sermos grandes amores.
O conselho que dou para as próximas gerações: Não se iludam com a beleza, é importante escolher bem. Um homem de trabalho. Um homem puro, transparente, honesto.
História Conceição (64anos) & Henrique (73 anos) -portugueses
Quando me lembro da nossa história, penso que “parece mentira”.
Já nos conhecíamos desde dos tempos que morávamos em Angola ,
Henrique era um dos melhores amigos do meu irmão mais velho, eu até o achava muito bem parecido, elegante mas nada de mais , era amigo do mano… Henrique também dizia que eu para ele era a irmã do amigo e para ele irmã do amigo era como uma irmã , por todo a consideração e respeito que tinha por a amizade com o meu irmão. E uma boa amizade não se perde por motivos supérfluos.
Estou viúva á uns seis anos, a minha aproximação ao Henrique deveu-se ao fato da cumplicidade que fomos criando depois de ir ficar viúva. O Henrique também já se encontrava sozinho algum tempo logo nada impedia de estarmos juntos.
Eu estava a morar em Aveiro, perto da minha filha para lhe poder auxiliar na educação da minha neta. Henrique começou a vir a consultas de um Medico que eu costumava ir. Como ele era de longe, sempre que ele vinha a consultas, aproveitávamos e falávamos pessoalmente. Fomos sempre mantendo o apoio, a amizade sincera e companheirismo. Sempre que eu ia ter com o Henrique levava a minha netinha comigo, estávamos sempre os três.
Um dia o Henrique pediu-me namoro, eu nem sabia o que lhe ia dizer, nem pensava na minha cabeça voltar a ter outra pessoa. Mas a cumplicidade que nos unia era tanta que, devido á situação do covid, para não andar para cima e para baixo … “foi o empurrãozinho” Fiquei de vez E já estamos juntos há quatro anos: dois anos que nos víamos aos fins de semana e outros dois anos de vez, de malas e bagagens!
O conselho que posso dar às novas gerações para se sentirem serem realizados na vida sentimental é: conversem muito. Os problemas da vida são resolvidos conversando e com muita dose de respeito e amizade. Saber ceder, moldar os nossos defeitos, até porque ninguém tem apenas qualidades! Saber controlar o ciúme.
Conselho para uma relação feliz: compreender o nosso companheiro, conversar sem qualquer tipo de constrangimentos. Sim, é difícil mas… não é impossível.
História Mary & Paco- portugueses
Conheci o Paco tinha eu 31 anos e ele 23. Casamos passado um ano.
A primeira vez que o vi foi enquanto ele estava a trabalhar na Portugal Telecom. Falei-lhe do Senhor Jesus, gostou e comecei a dar-lhe estudos bíblicos. Apaixonei-me assim que o vi… ele era e ainda é lindo. Quanto mais o conhecia mais gostava dele e do modo como que se relacionava com os meus filhos, um com 3 e o outro com 7 anos.
Viúva, a nossa relação foi-se desenvolvendo de uma forma muito natural. Da relação de amizade desenvolveu-se a relação de namoro… não existiu pedido de namoro.
O pedido de casamento foi muito interessante. Espontaneamente ele perguntou:
– Vamos casar?…
E decidimos casar. A palavra foi o suficiente, não foi preciso aliança de noivado.
O segredo do casamento feliz: é lutar sempre, fazer de tudo para compreender o outro e amarem-se a cada dia. Conseguir perdoar, jamais existir mentira ou traição. E acima de tudo orar um pelo outro e oramos os dois juntos. “casal que ora junto, vence junto”.
Quando um casal decide casar-se, deve fazê-lo apenas se existir amor verdadeiro. Deve casar para ser para sempre, não deve casar-se e pensar que se não der, divorciam-se.
História Puri (62 anos ) & Alonso ( 65 anos) – portugueses
Conhecemos na feira do livro no Porto.
Passeávamos pelas instalações da Feira do Livro, parei num stand e… estávamos os dois a olhar para os livros e a conversar com a senhora que estava a atender. Naturalmente encetámos conversa um com ou outro. Nessa época eu tinha 52 anos e ele 55 anos.
Nunca existiu um pedido de namoro, simplesmente conversamos, formos tomar café assiduamente e aos poucos … começou uma bonita amizade e até hoje é a base da nossa relação.
A nossa relação permanece até ao presente porque existe compreensão de ambos os lados. Perdoamo-nos mutualmente, não existindo lugar para rancor ou mágoas.
Não somos o casal perfeito, apenas sabemos conviver com as imperfeições um do outro.
É importante ter uma companhia pois a solidão mata, agora eu com 62 anos e ele 65 anos o que queremos é conversar, sermos amigos e sabemos que podemos contar com o apoio um do outro.
Nesta idade, não importa aquela paixão avassaladora, o importante é ter alguém para partilhar dia-a-dia.
Segredo relação no casal: respeito e sinceridade tanto nas ações como nas palavras…
O mais importante é encontrar um amor sincero, alguém quem se goste mesmo a sério. Conseguir manter o amor, o carinho e a lealde e nos momentos difíceis se conseguir manter a calma e a cumplicidade.
Todos temos os nossos momentos menos bons. Daí ser tolerante com o nosso parceiro para que ele também seja connosco.
Historia Cármen (62 anos) & Pepe (64 anos) -brasileiros
Este ano completamos 36 de casados.
Conhecemo-nos numa clínica.
Pepe era enfermeiro.
Foi ele até que deu o primeiro passo para nos conhecermos; como dizem, foi amor á primeira vista. O engraçado da história é que, à época, estava eu noiva de outro rapaz.
Ficando logo impressionada pelo Pepe, desfiz o noivado e permiti que começasse a aproximar-se mais de mim. Ele, primeiramente, começou a ir ao portão da minha casa, minha mãe conheceu-o e simpatizou logo com ele.
Certo dia entrou e pediu aos meus pais permissão para começar a namorar em casa.
Nessa época era assim… e os meus pais concordaram , claro que com as devidas regras.
A nossa relação teve de tudo. Passámos momentos difíceis com a presença de doenças, …
crises de comportamento…
Superamos tudo e juntos conseguimos chegar até aqui com mudanças de ambas as partes.
A forma como demonstramos amor um pelo outro é através das atitude um para com o outro, tentado entendermo-nos, assim como aceitar a opinião de um e do outro.
O conselho que eu dou para um casamento feliz é que: Para a felicidade acontecer temos de mudar – eu mudei muito, isso depois de muitos anos vir aprendendo e Deus abençoando-me. Não adianta impormos ao outro que mude o comportamento se não mudarmos o nosso primeiro.
História – Paloma (62 anos) & Filipe (64anos) – portugueses
O Filipe e é o meu segundo casamento. Conheceram nos num batizado no Porto, eu tinha 28 anos e o Filipe 30 anos.
A aproximação deu-se no restaurante visto que compartilharmos a mesma mesa. Inicialmente entabulou conversa com o meu filho. Apercebi-me era um pouco tímido e que se sentia bem ao relacionar-se com o meu filho, dizendo-lhe para ele, meu filho não seguir o exemplo dele fumador. Entretanto convidou-me para ir ao terraço para falarmos.
No fim do batizado, convidou-me bem como ao meu filho para irmos ao cinema assistir «o ratinho americano».
O Filipe nessa época trabalhava na Madeira, no seu dia da partida, em janeiro, eu e sua irmã decidimos sair mais cedo da fábrica para despedimo-nos.
Quando tomávamos café numa rua da Fernão Magalhães, já sentia muita vontade de o beijar. Nesse momento ele perguntou se podia escrever-me e logo, trocamos as moradas.
Mantivemos o contacto por carta, a mais especial foi quando me enviou um postal em maio com a proposta de namoro, nesse momento apareceu uma mistura de sentimentos dentro de mim, de felicidade assim como de receio.
Em agosto, ele veio ao continente e combinamos passar uma semana em Lisboa para passear.
Quando nos encontramos em Lisboa, ele ofereceu-me uma aliança de namoro e fez-me o pedido de casamento diante toda a gente.
Mais tarde o Filipe veio morar comigo para o Porto e até hoje permanecemos juntos, eu já com os meus 62 anos e ele com os 64. No entanto sempre fomos e seremos cordiais um com o outro , com respeito mútuo e tolerantes.
A nossa relação alterou-se com a pandemia, antes éramos mais próximos, trocamos mais momentos de afeto e tínhamos mais momentos de intimidade e já com a pandemia a nossa relação modificou-se, para evitar que o Filipe me pudesse contagiar em algum momento considerando que trabalha na área da saúde. No entanto o sentimento que nos une permanece coeso.
O meu marido preocupa-se muito com o meu bem-estar. Desde de sempre oferece-me muitas prendas, é o” jeitinho “dele para demonstrar que me ama.
Segredo para mantermos-nos juntos: “quebramos o orgulho sempre que é necessário. “Eu prefiro ser feliz a ter razão.”
O conselho que daria para as próximas gerações é que nunca deixem de falar um com o outro. Sejam tolerantes e sempre se coloquem no lugar do outro.
História Rosana (60 anos) & Benjamin (60 anos) – portugueses
Faz mais ou menos uns 37anos que nos conhecemos em casa de um irmão do meu marido. O irmão do meu marido assim como a sua esposa organizaram um jantar com o intuito que eu e o Benjamin nos conhecêssemos.
Connosco não existiu pedido de namoro, o momento em que começamos a namorar foi quando nós estávamos a dividir os dois a mesma cadeira, ele encostou o braço dele e eu deixei-o ficar… até hoje eu “sou o seu braço direito e ele o meu. “
O importante para a relação se manter no tempo é a presença de muito amor, muito cuidado da pessoa. Sem amor nada é possível. É sempre necessário que se goste da pessoa com as suas virtudes como defeitos.
Agora os dois com 60anos, fazemos tudo na mesma como fazíamos antes, mas com menos frequência. No entanto a confiança, o diálogo e o amor, permanecem na mesma intensidade de outrora.
O segredo de um casamento feliz: existir muito diálogo e confiança.
Conselho para as próximas gerações: Nunca dormir de costas voltadas.
História de Andreia (56 anos) & Artur (68anos) – Paraguaio
Conhecemo-nos em Buenos Aires na Igreja que frequentamos. Como é obvio fui eu que dei o primeiro passo para nos conhecermos. O primeiro beijo surgiu quando viajei para visitar a minha esposa no seu país, num terminal de autocarros. Três meses depois, fiz-lhe o pedido de namoro.
Para que a nossa relação permaneça durante todos estes anos foi e é preciso suportarmo-nos um ao outro, a felicidade não existe em todos os momentos. Ter paciência um com outro em todos os momentos é o fator mais importante.
A forma como eu transmito amor á minha amada é ajudando-lhes nas suas necessidades como na saúde física, no seu bem-estar espiritual, etc.
O conselho que posso deixar para as próximas gerações: é que tenham paciência uns com os outros, a Bíblia também nos diz esse mesmo conselho.
03-06-2023

Carolina Machado Borges
