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Quando o Humor Floresce, a Vida Ganha Cor

O humor é mais do que uma fonte de bem-estar; é uma nascente de vida que transborda para o coração de quem se cruza no seu caminho. – Carolina Alexandra Machado M. Borges

 

Não vou dizer nada de novo quando afirmo que o bem-estar e o bom ânimo são cruciais para a fluidez da nossa energia, do nosso vigor e do nosso bom funcionamento, tanto a nível mental como físico.

Há uma frase de que gosto particularmente:

“O segredo, querida Alice, é rodear-se de pessoas que te façam sorrir o coração. É então, e só então, que tu estarás no País das Maravilhas.”

                                              MAdrid, 2026

Hoje gostaria de refletir precisamente sobre este tema do bom ânimo.

Geralmente gosto de rir e de estar bem-disposta e, principalmente nos meus tempos livres, gosto de estar com amigas e amigos em momentos de partilha e leveza. Isso não significa que estejamos constantemente a rir, mas procuro não transmitir o meu mal-estar, um ar fechado ou uma tensão desnecessária à pessoa que está comigo.

Afinal, se alguém dedica parte do seu tempo — que considero ser o recurso mais valioso que possuímos — para estar presente, mesmo que por pouco tempo, parece-me justo proporcionar-lhe bem-estar. Talvez naquele momento eu não acrescente algo extraordinário à sua vida, mas procuro, pelo menos, não lhe retirar energia através de negatividade, tensão ou mau humor.

É claro que também tenho os meus dias menos bons, como qualquer comum mortal. Nesses momentos, as pessoas que considero o meu porto seguro acabam inevitavelmente por receber um pouco desse peso emocional. No entanto, tento sempre compensar essa entrega e essa presença. Tenho muitos defeitos, mas a gratidão é um valor que procuro cultivar diariamente. Nunca me esqueço de quem me faz bem, mesmo quando essa pessoa não tem consciência do impacto que está a ter naquele momento da minha vida.

O humor é algo que costumava sentar-se à minha mesa de chá com as minhas amigas, no banco de um jardim, na praia a observar o pôr do sol. E, sinceramente, é um convidado sempre muito bem-vindo.

O humor surge-me naturalmente. Seja em momentos em que me sinto mais constrangida, seja em situações de maior tensão, funciona muitas vezes como um quebra-gelo. Naturalmente, sempre ajustado ao contexto, ao momento e às pessoas presentes, porque o bom senso continua a ser essencial.

Mas preservar o bom ânimo também exige intenção.

Uma das estratégias que procuro seguir é rodear-me de pessoas que me transmitam bem-estar. Não falo de pessoas perfeitas ou excessivamente otimistas. Refiro-me a pessoas leves, simples, práticas, autênticas e emocionalmente equilibradas.

Também tenho cuidado com aquilo que consumo diariamente. Gosto de ler livros que me ajudem a desenvolver pensamentos positivos, assistir a conteúdos inspiradores, apreciar arte que desperte emoções construtivas e ouvir música que me traga serenidade. Curiosamente, evito músicas excessivamente melancólicas ou nostálgicas. É apenas uma preferência pessoal. Sempre senti que o ambiente sonoro influencia significativamente o nosso estado emocional.

E depois existe algo que para mim é insubstituível: a natureza.

Durante muitos anos fui quase “viciada” no cheiro e no som do despertar do dia. Ainda hoje, o amanhecer e o pôr do sol continuam a ser os momentos da natureza que mais me encantam. Fico frequentemente em estado contemplativo, apenas a observar. Sem julgamento. Sem procurar explicações. Apenas presente.

Nesses momentos recordo uma frase escrita num dos cadernos que costumo levar comigo:

“As melhores coisas da vida não são coisas.”


Madrid, maio 2026

E, para mim, de facto não são.

Também procuro evitar permanecer demasiado tempo em conversas centradas exclusivamente em problemas, conflitos ou negatividade constante. Todos precisamos de falar sobre as dificuldades da vida, mas acredito que também devemos reservar espaço para aquilo que nos faz sorrir os olhos. E, se necessário, usar o humor para aliviar a tensão de determinados assuntos.

A ciência tem demonstrado que o humor não é apenas um estado emocional agradável. O sorriso e o riso desencadeiam respostas fisiológicas reais e mensuráveis. Estudos indicam que rir estimula a libertação de endorfinas, dopamina e oxitocina, substâncias associadas ao prazer, à motivação, à ligação social e ao bem-estar psicológico (Mayo Clinic, 2023; Yim, 2016).

Por outro lado, o humor parece contribuir para a diminuição dos níveis de cortisol, uma das principais hormonas associadas ao stress. Uma revisão sistemática e meta-análise concluiu que o riso espontâneo está associado à redução dos níveis de cortisol, favorecendo uma resposta fisiológica mais equilibrada perante situações de tensão (Kramer & Leitao, 2023).

Do ponto de vista neurológico, o humor ativa simultaneamente diferentes regiões cerebrais relacionadas com as emoções, a memória, a linguagem e a cognição. Esta ativação integrada contribui para melhorar a adaptação psicológica aos desafios do quotidiano e fortalecer a resiliência emocional (Yim, 2016).

Os benefícios estendem-se também ao sistema nervoso autónomo. Segundo Fujiwara e Okamura (2018), ouvir e experienciar o riso pode favorecer uma recuperação mais rápida do organismo após situações stressantes, contribuindo para um maior equilíbrio fisiológico.

E até a pele agradece.

O stress crónico está associado ao aumento da inflamação sistémica e ao envelhecimento cutâneo acelerado. Quando os níveis de cortisol permanecem elevados durante períodos prolongados, podem surgir alterações na barreira cutânea e agravamento de determinadas condições dermatológicas. Em contrapartida, estados emocionais positivos e uma menor carga de stress contribuem para uma melhor saúde da pele e para uma aparência mais luminosa e saudável (Mayo Clinic Press, 2024).

Por tudo isto, procuro respeitar os meus momentos de descanso, praticar atividade física regularmente, estar próxima de pessoas que me fazem bem e reservar tempo para atividades que me trazem prazer e tranquilidade. Aprendi também a reconhecer quando preciso de desacelerar e de me afastar de situações que drenam excessivamente a minha energia.

O bom ânimo não significa ignorar dificuldades ou viver numa alegria permanente. Significa, antes, desenvolver a capacidade de encontrar equilíbrio mesmo perante os desafios. É uma forma de resiliência que nos ajuda a enfrentar os dias com mais leveza e confiança.

Talvez por isso a energia, o vigor e a motivação estejam tão ligados à forma como escolhemos olhar para a vida. Quando cultivamos pensamentos mais positivos, relações saudáveis e hábitos que nos fazem bem, estamos a criar terreno fértil para que a nossa essência floresça.

E, afinal, não será isso que todos procuramos?

Florescer, mesmo nos dias menos luminosos.

Referências Bibliográficas

Fujiwara, Y., & Okamura, H. (2018). Hearing laughter improves the recovery process of the autonomic nervous system after a stress-loading task: A randomized controlled trial. BioPsychoSocial Medicine, 12(22). https://doi.org/10.1186/s13030-018-0141-0

Kramer, C. K., & Leitao, C. B. (2023). Laughter as medicine: A systematic review and meta-analysis of interventional studies evaluating the impact of spontaneous laughter on cortisol levels. PLOS ONE, 18(5), e0286260. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0286260

Mayo Clinic. (2023). Stress relief from laughter? It’s no joke. Mayo Clinic.

Mayo Clinic Press. (2024). The health benefits of humor. Mayo Clinic Press.

Yim, J. (2016). Therapeutic benefits of laughter in mental health: A theoretical review. The Tohoku Journal of Experimental Medicine, 239(3), 243–249.

 

Categoria: Bem-estar | Saúde | Desenvolvimento Pessoal.

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