
Madrid, maio 2026
Reorganizar por dentro é permitir-nos a chance de evoluir, quantas vezes forem precisas. Carolina Alexandra Machado M. Borges
Abrir um ciclo exige reorganização interna.
Uns chamam-lhe “arrumar a casa”. Outros dão-lhe outros nomes. Eu chamo-lhe: abrir a mente.
Não basta mudar de cenário. Não basta querer.
É preciso ir para dentro.
É escolher um espaço mental que devolva paz — mesmo quando isso, no início, traz desconforto. Porque o novo raramente é confortável à partida, mas pode ser profundamente alinhado.
A psicologia da mudança comportamental explica que transformações duradouras não acontecem apenas ao nível do comportamento visível, mas sobretudo na forma como interpretamos a realidade e estruturamos os nossos padrões de pensamento (Ajzen, 1991; Prochaska & DiClemente, 1983). Ou seja, não é apenas o que fazemos que se transforma — é a forma como significamos o que fazemos.
É preciso mudar de lente.
Não basta ajustar a imagem.
É preciso recalibrar a forma de ver.
Há crenças que precisam de ser revistas.
Há hábitos que deixam de fazer sentido.
Há versões de nós que já não pertencem ao presente.
A investigação em psicologia cognitiva mostra que interpretamos o mundo através de esquemas mentais — estruturas que organizam crenças, memórias e significados. Quando esses esquemas deixam de estar alinhados com a realidade atual, surge tensão até ocorrer adaptação cognitiva (Beck, 1976).
Crescer não é tornar-se outra pessoa. É integrar o vivido sem perder a identidade.
A teoria da autoeficácia reforça esta leitura: a identidade fortalece-se através da integração de experiências, sobretudo aquelas que exigiram superação (Bandura, 1997). Cada desafio ultrapassado não apaga o que foste — acrescenta profundidade ao que te tornas.
É permanecer a mesma essência, mas com outra estrutura.
Mais forte pela experiência.
Mais lúcida pela reflexão.
Mais consistente pelas marcas do caminho.
A psicologia do desenvolvimento sugere que maturidade psicológica está ligada à capacidade de integrar passado e presente sem ficar presa a nenhum dos dois — criando coerência na forma como nos percebemos ao longo do tempo (Erikson, 1968).
Coesa.
Consciente.
Alinhada com o que a nova fase exige.
Abrir um ciclo não é fuga.
Não é negação.
É ajuste.
É alinhar o que já és com aquilo que já não podes ignorar.
Abrir é ajustar
Vídeo pergunta com a Nandinha.
Referências Bibliográficas (APA 7ª edição)
Ajzen, I. (1991). The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 50(2), 179–211. https://doi.org/10.1016/0749-5978(91)90020-T
Bandura, A. (1997). Self-efficacy: The exercise of control. W. H. Freeman.
Beck, A. T. (1976). Cognitive therapy and the emotional disorders. International Universities Press.
Erikson, E. H. (1968). Identity: Youth and crisis. Norton.
Prochaska, J. O., & DiClemente, C. C. (1983). Stages and processes of self-change of smoking: Toward an integrative model of change. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 51(3), 390–395. https://doi.org/10.1037/0022-006X.51.3.390

