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Solitude vs Solidão: Comunicação, Estilo de Vida e o Diálogo Interior

 

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Nas várias conversas que tive nos últimos tempos, apercebi-me de algo curioso: muitas pessoas já ouviram falar dos termos solitude e solidão, mas poucas conhecem  o verdadeiramente o seu significado. Usam-se quase como sinónimos — mas, na prática, são experiências bastante distintas.
E compreender essa diferença pode transformar a forma como nos relacionamos connosco mesmos e com os outros.

Hoje, decidi escrever sobre isso. Porque acredito que a comunicação não é apenas algo que acontece fora, mas também dentro de nós. E é através desse diálogo interno que encontramos / voltamos  ao nosso centro, cultivamos a auto escuta e damos espaço à auto compaixão.

Solitude: o prazer de estar consigo mesmo

A solitude é o estado de estar só por escolha própria, e, mais do que isso, de encontrar prazer, clareza e equilíbrio nesse tempo de recolhimento. É o momento em que nos desligamos do ruído exterior para nos reencontrarmos. Não é isolamento, é conexão profunda.

Exemplos de solitude:

  • Caminhar sozinho na natureza para clarear os pensamentos;
  • Passar uma tarde a ler ou a escrever, sentindo-se pleno na própria companhia;
  • Fazer uma pausa no meio do dia para respirar, reflectir e escutar o silêncio.

Na solitude, há liberdade. Não sentimos falta de ninguém, porque estamos completos naquele instante.

Solidão: o vazio da desconexão

A solidão, por outro lado, é o sentimento de ausência, de vazio, de não-pertencimento. Podemos estar rodeados de pessoas e, ainda assim, sentir-nos profundamente sós. É uma sensação de desconexão, muitas vezes acompanhada de tristeza, rejeição ou invisibilidade.

Exemplos de solidão:

  • Estar num jantar de grupo e sentir que ninguém verdadeiramente o escuta ou compreende;
  • Passar por uma fase difícil da vida e não ter com quem partilhar;
  • Sentir-se emocionalmente distante de quem está fisicamente próximo.

“A solidão fere. A solitude cura.”

A ponte entre solitude e comunicação: o diálogo interno

Como é que tudo isto se relaciona com a comunicação? De forma profunda.
A solitude permite-nos cultivar um dos aspectos mais negligenciados da vida moderna: o diálogo interno consciente. E esse diálogo é essencial para o nosso equilíbrio emocional e relacional.

O que é o diálogo interno?
 É a forma como falamos connosco próprios — os pensamentos que alimentamos, as palavras que escolhemos quando olhamos para dentro. É o tom da nossa própria voz interior. E sim, pode ser cruel ou pode ser gentil. Pode julgar ou pode acolher.

Como treinar o diálogo interno saudável:

  • Praticar momentos de silêncio e introspeção diariamente;
  • Substituir pensamentos autocríticos por perguntas curiosas (“O que é que estou a sentir agora? O que é que eu preciso?”);
  • Escrever cartas a si mesmo em momentos de dor ou confusão, como se escrevesse a um amigo querido;
  • Usar afirmações conscientes, como: “Estou a fazer o melhor que posso com o que sei.”

Auto – compaixão: o coração do auto- amor

A auto – compaixão:  é o acto de tratar-se com a mesma bondade, compreensão e respeito com que tratarias alguém que amas. É reconhecer a dor sem se julgar por senti-la. É aceitar que errar, falhar ou não saber também faz parte de ser humano. 
Para estes casos em particular costumo pensar : ” eu seria capaz de dizer / fazer  isto com uma outra pessoa ? Se, seria incapaz, por que vou dizer-me / fazer-me  isto?” 

Exemplos de auto – compaixão:

  • Depois de cometer um erro, em vez de dizer “sou um desastre”, dizer: “Foi um erro, mas estou a aprender com ele.”
  • Nos dias difíceis, permitir-se descansar sem culpa;
  • Reconhecer as próprias limitações sem vergonha, mas com ternura.

Treinar a auto – compaixão é como reaprender a estar na própria pele. E quanto mais gentil fores contigo, mais genuína será a tua presença com os outros.

Amar-te a ti mesmo é um romance para toda a vida.

Essa frase resume tudo. Não se trata de narcisismo, mas de reconhecimento interno. Porque quem cultiva o amor-próprio não mendiga afeto, não se perde em comparações, não se abandona.

 



Carolina Machado Borges

 

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