Burla ou “burlinha “, o perigo é o mesmo
O post de hoje foi inspirado na burlinha que me tentaram fazer na semana passada…
Algum ser humano — daqueles que parecem viver numa realidade paralela onde a lógica tirou férias — lembrou-se de me enviar uma mensagem (e não só a mim… mandou para cada número que o dedo sortudo conseguiu carregar). O mais fascinante é que eu não dou o meu número de telemóvel a quase ninguém, e mesmo assim continuam a brotar estas mensagens misteriosas, vindas diretamente do infinito e mais além… fim dos parênteses retos… 🙂
Então lá recebo eu a fantástica notícia de que tinha uma conta da luz em atraso e que, se não pagasse naquele mesmo dia, ficaria sem eletricidade. Drama, suspense, terror!
O problema? Estes burlões preguiçosos nem se dão ao trabalho de fazer uma pesquisa decente. Mas que raio de conta de luz é que eu tenho para pagar? Só se fosse da lâmpada do Aladino — e mesmo assim o responsável era o Génio, que aquilo é casa dele, não minha. A criatividade está pelas ruas da amargura, senhores…
Ainda pensei em responder, tal como fez — brilhantemente — um querido conhecido meu. Mas depois lembrei-me de que a minha energia é preciosa, ao contrário da “luz” que eles me queriam cortar. Então fiquei-me por comentar o episódio com o meu círculo de conhecidas. No mínimo, rendeu um bom momento de café e umas gargalhadas.
E como isto das burlas já parece o pão nosso de cada dia… deixo-vos este post.
Se a moda pega, ainda recebo uma mensagem a avisar que a minha dívida com a NASA está atrasada e que vão rebocar a Lua…
Como muitos já devem ter ouvido falar, os esquemas de burla estão a aumentar por todo o mundo.
E Portugal, claro, não é exceção. Entre as mais conhecidas por cá, temos aquela que já se tornou quase um “clássico”: a famosa “Olá, pai”.
Quem nunca recebeu uma mensagem estranha no telemóvel? Eu por acaso nunca recebi, no entanto conheço vários casos de pessoas que receberam.
Às vezes é um número desconhecido, outras vezes parece até vir de alguém próximo — e é aí que mora o perigo.
Estas burlas muitas vezes começam com algo simples e aparentemente inofensivo, como uma mensagem: “Olá, pai. Troquei de número. Este é o meu novo. Podes transferir-me dinheiro?” ( com a foto)
Numa distração, ou levados pela preocupação, muitos pais acabam mesmo por enviar dinheiro, confiando ser a mensagem do familiar que tem total confiança.
Só mais tarde percebem que caíram num esquema bem pensado.
Mas a burlinha também existe — aquelas pequenas tentativas que, embora pareçam insignificantes, são igualmente perigosas.
Pode ser um link que recebes por SMS para “atualizar os teus dados bancários”, uma chamada com alguém a fingir ser da tua operadora, ou um falso e-mail do banco.
Hoje em dia, com a facilidade da tecnologia, os burlões estão cada vez mais criativos.
Por isso, é importante manter-se informado e desconfiar sempre.
Algumas dicas úteis:
- Nunca partilhes dados pessoais ou bancários por mensagem ou telefone.
- Confirma sempre com a pessoa através de outro meio (ex: chamada de vídeo, voz, ou redes sociais).
- Não cliques em links estranhos ou de remetentes desconhecidos.
- Se tiveres dúvidas, fala com alguém de confiança antes de agir.
A burla não escolhe idade, classe social ou grau de literacia digital. Pode acontecer a qualquer um. E quanto mais falarmos sobre o assunto, mais pessoas podemos ajudar a proteger. Enfim, os burlões andam cada vez mais sagazes e astutos. Andam à procura de vítimas distraídas para conseguirem sacar tudo — desde dinheiro, dados pessoais, até à própria paz de espírito.
Porque, a verdade é que, quando alguém é enganado desta forma, não é só a conta bancária que sofre… a autoestima e a confiança também ficam abaladas. E isso afeta não só a vítima, mas muitas vezes também os familiares.
Infelizmente, é comum que as vítimas sintam vergonha por se terem deixado enganar.
Mas vamos ser honestos: quem nunca foi enganado na vida que atire a primeira pedra. Acontece a todos, mas de diferentes formas.
O mais importante é o que fazemos depois.
Se fores vítima de uma burla, não tenhas vergonha de falar sobre isso. Partilha com amigos, familiares, colegas de trabalho de forma a alertar-lhes de esta maneira não só estás a cuidar de ti emocionalmente, como também podes evitar que outras pessoas caiam no mesmo esquema.
Muitas vezes, ouvir um “isso também já me aconteceu” pode ser o primeiro passo para curar a culpa e o silêncio que tantas vezes acompanham estes casos.
Lembra-te: partilhar a tua experiência pode ser o alerta que alguém precisava. E cada alerta conta.
Alerta é proteção.
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Aos ” mestres ” das burlas e burlinhas:
Pequeno lembrete ou desabafo, como preferirem…
Antes de começarem a planear as próximas férias, façam o favor de saldar as dívidas que deixaram pelo caminho. É que ver-vos a postar fotos na praia, a brindar à vida, enquanto ainda devem dinheiro a quem vos confiou tempo, trabalho ou confiança… não bate certo. É simplesmente incoerente. E sim, sei que bom senso não é o vosso ponto forte, por isso fica aqui esta sugestão básica: ou pagam o que devem, ou guardem as selfies na galeria.
Agora, para os profissionais das “mentorias mágicas”e formadores duvidosos:
“Profissionais que vendem ilusões embrulhadas em publicidade bonita e apelativa recheadas de promessas vazias e “testemunhos” inventados/ deturpados …
Na verdade, nem toda a gente que vos ouve e oferece migalhas de tempo assim como de atenção estão a ser convencidas— alguns de nós estamos mesmo só a tentar perceber até onde vai a criatividade do vosso argumento.
E para terminar, um último recado:
E, por fim, uma última dica:
A quem dedica tempo e energia a burlar os outros a full-time, deixem de pensar que todas as pessoas têm um preço. Há muita gente por aí que gosta de usar o cérebro para criar, evoluir e contribuir, basicamente que gosta de fazer a sua parte, sentir-se útil… Nem toda a gente está à venda.
E por mais que isso vos incomode, é com esse tipo de gente que o mundo realmente avança. 😉
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O que fazer se foi vítima de burla?
Se foste alvo de uma burla, é importante agir rapidamente.
Apresentar queixa às autoridades
É fundamental reportar o crime às autoridades.
Dirige-te à esquadra da polícia mais próxima de ti ou contacta diretamente a Polícia Judiciária, que investiga crimes informáticos e burlas mais complexas.
Também podes dirigir-te à PSP ou GNR, conforme a tua zona de residência, para apresentar queixa.
Fica a Dica: Quando fores apresentar queixa, leva contigo todos os comprovativos que tiveres (emails, mensagens, capturas de ecrã, comprovativos de pagamento, etc.).
Carolina Machado Borges
