“Porque cuidar vai muito além da profissão”.
1- Relato do profissional de saúde Eduardo terapeuta ocupacional- Portugues em Inglaterra
Quanto ao meu trabalho no terreno, durante a pandemia foi necessário redobrar os cuidados com os pacientes em especial com os mais idoso. Seguiu-se a diretriz do Instituto Nacional de Excelência em
Saúde e Cuidados (NICE) National Institute for Health and Care Excellence, A todos os funcionários que trabalham com residentes de lares de idosos reconheceram que a COVID-19 muitas vezes se apresenta atipicamente neste grupo e que também podem ser assintomáticos (não apresentam sintomas) ou pré-sintomáticos (não apresentam sintomas inicialmente, embora ainda sejam COVID-19 positivos e infeciosos. Verificou-se em pacientes em cuidados paliativos e pacientes com transtorno de saúde mental, como demência, sofreram um risco maior. As visitas familiares eram baseadas em avaliações de
risco individualizadas e a tomada de decisão era compartilhada com os pacientes, as suas famílias e funcionários.
Os meios utilizados para as visitas eram como que o e/ou tecnologia, como tablet .
Funcionários de lares de idosos, clínicos gerais, equipas de saúde comunitária e geriatras comunitários também revisavam os Planos de Cuidados Antecipados com os residentes de lares de idosos, incluindo discussões sobre como o COVID-19 afetava gravemente doentes e o que eles e suas famílias
desejariam se a saúde desses pacientes piorasse. Nos hospitais colaborava-se com os pacientes e famílias para garantir que as necessidades emocionais dos
residentes estavam a ser atendidas.
“Paciência e perseverança têm o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos diminuírem”.
2- Relato da cuidadora “Marina”- Portugal
Cuidar dos idosos em tempos de pandeia foi um enorme desafio quer profissional quer pessoalmente .
A forma dos idosos manterem o contato com os seus entes queridos era através de vídeo chamada.
Tive casos em que assisti ás conversas com os familiares e quando no momento se despedirem diziam: «um beijinho, um abraço” e pediam para ser eu a dar-lhe por eles. Tivemos de compensar o carinho que recebiam dos seus familiares e quando iam à janela ver os familiares que os visitavam.
Consegui sentir e observar que os idosos choravam muito, passavam muito tempo tristes e amargurados, alguns nem tinham a perceção do que estava acontecer, embora tentássemos explicar
que existia um vírus, muitos não conseguiam entender o motivo da ausência dos familiares. A estratégia que arranjamos foi fazer-se mais atividades ;tentar mante-los o mais distraídos possível, evitar que vissem noticias sobre o covid e principalmente sobre lares para não ficarem mais agitados.
Melhorou um pouco quando os idosos começaram a poder receber visitas, sempre com a proteção do vidro, quando iam os familiares ficavam mais felizes. Foram momentos vivemos com muita emoção
principalmente quando recebiam a visita dos netos e de bisnetos. Essas visitas mexiam muito com eles.
Atualmente verifico que os familiares valorizam muito mais os seus idosos que antes. A situação da pandemia veio fortalecer os vínculos e trouxe mais união entre familiares e idosos institucionalizados.
Não conseguimos imaginar o quanto os afetos são importantes para os idoso, os abraços, a presença, a atenção, um sorriso, um olhar , gestos aparentemente tão simples mas que para quem que está numa situação vulnerável e frágil ganham um impacto e uma dimensão brutal.
3- Relato da Cuidadora Estafani- Espanha
Durante os tempos de pandemia a estratégia utilizada para promover o contato com a família através das vídeo conferencias com a duração de 15 minutos. Esse era um momento muito intenso sempre que contavam com os seus familiares, cada dia e semana que se passava de isolamento, mais intensificava
as saudades.
Do que observei, os idosos, nessa época de pandemia, encontravam-se confusos. Alguns deprimidos outros bastantes tristes, com sentimentos negativos, visto não poder ter a vida normal. O pouco que podíamos fazer era transmitir o carinho que os familiares não podiam dar.
Enquanto trabalhávamos com o equipamento apropriado os idosos nem saibam quem era a cuidadora que estava em trabalho, tínhamos sempre que dizer o nosso nome quando nos aproximávamos .
Mesmo sem nos conseguirem reconhecer tentávamos dar o máximo de carinho compensando o distanciamento com os familiares.
Comparando o tempo atual com a época de pandemia, vejo que agora os familiares e os amigos estão mais próximos dos idosos institucionalizados . A pandemia foi um momento muito duro para todos, no entanto, nota-se que os vínculos familiares, atualmente, são mais profundos do que anteriormente.
Os idosos institucionalizados nunca necessitaram tanto de ajuda , apoio, consolo e encorajamento como precisaram nessa altura.
4- Relato da cuidadora Lisa- Portugal
Depende bastante de idosos para idosos os que não são depositados em lares.
Depende muito da situação dos idosos e os que são cuidados com a família.
Durante a pandemia vai visitar o utente, aquela saudade de ir com eles, o abraço, poder ir a casa, poder estar com os seus. Sentem revolta por não poderem estar com os netos e filhos.
Cada vez que cada família vai visitar os utentes senti que eles querem ir com eles, podem abraçar, foi algo que lhes cortaram, estar com os seus, saudade e revolta e não podem sair para irem ter com filhos e netos.
Não estão próximo e não querem guardar magoa, caso aconteça algo sem comunicarem não poderem dizer ola, bom dia, começaram sentir a ausência ,uma coisa é quando podem visitar outra quando não podem ter contacto. Sentem que não estão próximos dos idosos. Agora tem receio que algo lhes
aconteça. O telefona não poder passado aos utentes para não propagar ,
não poder dizer ola, bom dia, não poder visitá-los, começaram sentir a ausência mais profunda.
Deixaram de ter muito contato. Quando existiu um surto no lar com sentem -se muito pior depois…é cada isolamento… os familiares são muito exigentes nos cuidados porque não podem estar presentes.
Os familiares exigem muito de nós porque eles não podem estar presentes.
Cuidar é amor, para se cuidar alguém é preciso amar , ter amor, respeito. Nós somos a filha, a neta, sobrinha,, era como filha para ela.. por um lado sabe bem, mas por outro vai ser difícil um dia que fique sem essa utente,
Cuidar é amor, para cuidar de alguém é preciso sentir amor do que está a fazer. Amor, paciência , respeito do que esta a fazer. Nós acabamos por ser a filha, sobrinha tudo ..
Por um lado sabe, um dia que a utente for embora… acaba-se por criar uma ligação forte. Por isso é que digo que cuidar é amor,
5) Relato da cuidadora Isaura- Portugal
Do que eu vivi e observei em relação aos idosos ,a pandemia aqueles que estão acamados ou estão com quadro demencial, a pandemia não lhes afetou . Não lhes proporcionou grandes alterações.
Já com os outros idosos, foi doloroso , uma vez que não poderem receber as visitas dos seus famílias , no entanto compreendiam a situação.
Os idosos que tinham covid , estavam em isolamento não podiam receber a carinho de ninguém ,no entanto, estávamos sempre ali com eles para lhes dar muito amor .
No meu local de trabalho não observei alterações sobre a relação dos idosos com os familiares antes da pandemia e depois da pandemia, embora a demonstração da estima , carinho fosse expressado de
maneira diferente os familiares sempre valorizavam e são presentes com os idosos.
Eu considero que é muito importante o afeto para os idoso, é importante para eles receber carinho, no entanto existem casos e casos .
Seja em época de pandemia ou fora dela eu adoro trabalhar com pessoas idosas.
6) Relato profissional da Saúde Alexandra- Brasil
Considerando a minha experiencia no terreno a minha relação com os meus doentes em tempos de pandemia foi diferente mais próxima .
Onde eu trabalho , a forma como os idosos conseguiam comunicar com os seus familiares e assim receber o seu apoio e presença era ou por vídeo chamada e pela janela os idosos saludavam os familiares através da janela.
A afetividade ,é um dos fatores que ajuda bastante na recuperação dos idosos , recorrendo-se á empatia , ao dialogo para que evitar que os idosos não se deprimam.
7- Relato profissional de saúde Filipa- Portugal
A afetividade é considera meio caminho andando para a recuperação de um doente neste caso em particolar para um idoso. Quando eramos pequenos , sempre que estávamos doentes, ‘procurávamos o “colo” da nossa mãe, para que nos sentirmos protegidos parecia que era tudo mais fácil quando
tínhamos aquele porto-seguro.
Quando se cresce sem pensar a idade que se tenha, esse aconchego/colo continua a ser muito
importante. Esse colo da mãe pode ser substituído através de amigos , com um abraço , um silêncio quando alguém nos ouve com atenção.
O isolamento dos doentes foi muito difícil para os mesmo, então coube ao cuidador exercer função de filho e amigo. No entanto não deixou de ser difícil para a pessoa, quer para com o doente,bem como para quem cuidou.
Apenas quem viveu essa época sabe o que passou…
Os afetos são intemporais no entanto é necessário que fazer por onde para ter tempo para os poder transmitir ! Carolina Machado Borges, 2023
20-04-2024

Carolina Machado Borges
