
Hoje trago-vos uma convidada muito especial: a Andreia, dona de uma loja que já faz parte do coração de Viseu e da minha rotina — a 4rsViseu.
A nossa amizade tem praticamente a mesma idade da loja dela: 16 anos… já passou assim tanto tempo?!
E isto diz muito sobre o quanto este projeto cresceu, evoluiu e faz sentido para nós.
Antes de iniciar este momento com a Andreia, é importante contextualizar o motivo pelo qual a trago aqui.
A loja da Andreia — como eu carinhosamente lhe chamo — não é apenas mais uma loja de roupa. É um espaço onde encontramos roupa em segunda mão, mas também algumas peças novas, bijuteria e calçado novo. Ainda assim, o foco principal está claramente na roupa em segunda mão — um conceito que, felizmente, tem vindo a ganhar cada vez mais relevância no mundo da moda e na vida de quem por lá passa.
A importância das lojas de segunda mão
As lojas de segunda mão tornaram-se fundamentais por várias razões:
Sustentabilidade ambiental — A produção têxtil é uma das indústrias mais poluentes do planeta. Ao reutilizarmos roupas já existentes, reduzimos a necessidade de produzir novas peças, poupando água, energia e diminuindo as emissões de CO₂.
Consumo consciente — Comprar em segunda mão incentiva-nos a refletir sobre o verdadeiro valor de uma peça, afastando-nos do consumo rápido e descartável que domina a moda atual.
Reutilização e reciclagem — Estas práticas prolongam a vida útil da roupa e evitam que toneladas de têxteis acabem em aterros.
Redução do desperdício global — Estudos mostram que a quantidade de roupa produzida a nível mundial já supera largamente o número da população, sendo muitas dessas peças usadas apenas algumas vezes antes de serem descartadas. A segunda mão ajuda a quebrar este ciclo insustentável.
Mitos sobre roupa em segunda mão
Ainda existe quem associe roupa usada a algo “sujo”, “ultrapassado” ou “menos digno”. Nada poderia estar mais longe da verdade:
A maioria das peças é cuidadosamente selecionada, lavada e apresentada com o mesmo cuidado que a roupa nova.
É possível encontrar verdadeiros tesouros vintage ou peças únicas que já não se encontram nas lojas convencionais.
A moda em segunda mão é atual, criativa e cheia de personalidade — e muitos designers e influenciadores já a abraçaram.
Vamos à entrevista!
Andreia, de onde surgiu a ideia de criares um empreendimento de roupa em segunda mão?
Olá, sou a Andreia , a cara por detrás da 4Rs.
Parabenizo o teu empenho, tens um blog único, bem estruturado e organizado.
Estava desempregada e surgiu naturalmente. Porque não? Não havia nenhuma na altura em Viseu e pensei, vou avançar com o meu próprio emprego.
“Quando vim a Viseu de férias, há cerca de 16 anos, precisava de fazer um refresh no meu guarda-roupa e desfazer-me de algumas roupas. Foi então que me recomendaram a tua loja, que na altura ainda ficava na Rua do Arco.”
Lembro-me bem dessa fase: vinha a Viseu e passava pela tua loja nem que fosse apenas para dizer bom dia — e já lá estava sempre movimento, pessoas a ver, a escolher, a experimentar. Falávamos muitas vezes sobre o mercado de roupa em segunda mão em Viseu, que naquela altura ainda não era muito comum. Em Madrid, pelo contrário, já fazia parte do quotidiano.
Como foi essa adaptação e inserção no mercado local?
Foi muito difícil os primeiros tempos. Era o desconhecido, ainda não se falava sobre este assunto nas redes sociais, na comunicação social e muito menos na boca dos viseenses. Aos poucos, a satisfação dos clientes foi a melhor publicidade que pode ter.
Há algo que sempre achei curioso — e que já te disse várias vezes: na tua loja tudo voa. Está sempre em constante movimento, as peças entram e saem rapidamente.
Essa fluidez faz parte da tua estratégia de vendas?
Sim sem dúvida. A minha estratégia e “despachar” material. Comprar e vender barato, mas nunca desprovir de qualidade.
Podes partilhar algum episódio mais caricato com uma cliente?
Espero que não seja nenhum meu…
Certo dia, já no final, uma cliente foi-me vender um lote de carteiras lindíssimas. Depois do negócio feito fiz a montra. No dia seguinte a primeira cliente foi a ” dona” das carteiras. Ou seja, a sra deu as carteiras a uma amiga que me foi vender. Ficou super chateada, não comigo, mas com a amiga. Só dizia ” se alguém tinha que vender era eu”
Aos meus olhos, parece que não sentes medo da concorrência das lojas de roupa nova a preços muito baixos. Tenho lido e visto várias reportagens sobre os perigos associados a este tipo de comércio — sobretudo em relação à saúde, às condições de trabalho e à sustentabilidade.
O que tens a dizer sobre isso?
Sim, o mais recente desígnio de fast fashion. Medonho. A moda circular manipula de tal forma ao consumismo, a ideia de moda padronizada, perdendo com isso valores importantíssimos para com o planeta e essencialmente para a saúde das pessoas. Perderam por completo a importância da qualidade e proveniência dos materiais.
Sinceramente, o teu empreendimento tem vindo a crescer e a desenvolver-se de forma consistente.
Queres partilhar alguma dica para quem está a começar?
Obrigado, Andreia!
Andreia, bem-haja por esta partilha e por este momento de esclarecimento sobre como descomplicar a experiência de uma loja de segunda mão
E porque uma imagem vale mais do que mil palavras, deixo aqui algumas fotos de momentos na tua loja — um espaço que não é apenas de passagem, mas um lugar para parar, ver, sentir e inspirar.
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